terça-feira, 15 de abril de 2014

Evaporar




E quem é que sabe o que é evaporar? Evaporar-se?
Evaporar no sentido da água da chuva que cai e que faz elevar com aquele calorzinho do sol
Evaporar no sentido de não pertencer, deixar de ser matéria, ser sopro, farelinho no vento livre a voar, tornar-se pensamento
Evaporar no sentido de ser leve, flutuar
Sentir-se fora do chão, sentir o ar
Abrir os braços, se deixar embalar, sentir a nuvenzinha branca passando bem abaixo dos pés
É coração sorrindo escancarado, inflamando o peito, é levar a alma a passear
Tão fácil tocar aquela estrela, espia, é só se esticar
Suspirar, sentir a brisa leve, se atirar
Evaporar-se é sorrir por dentro, sair de si, transcender, elevar a alma, soltar o barbante que segura o coração inflado e deixar que ele vá, lá no alto, mais alto ainda, a perder de vista.
Evaporar é muito mais do que apenas ir. É sentir.







sexta-feira, 28 de março de 2014

Quintal



Quintal é uma daquelas palavras que gosto. Não sei muito bem porquê. Se pelo som que ela tem, se pelo sol que bate ali - naquele cantinho onde é gostoso ficar de pé descalço pisando na grama. Ou se pela saudade que a palavra dá do cheiro de café preto e forte recém passado. De olhar prá cima, lá no céu, e ver aquele monte de nuvenzinha branca correndo solta numa pressa que não tem urgência de chegar. Gosto da combinação do quin com tal. Sinto aconchego, saudade e o calorzinho do sol. Quintal é infância. É o pedaço de vida que a gente sente mais falta. Quintal é vó, é gritaria de criança, é banho de mangueira. Quintal é escalar o muro, subir na árvore, se embalar num balanço de corda com o corpo bem esticado prá trás e sentir as pontas dos cabelos pincelando o chão. É sorriso, é brinquedo, proteção. É nosso pequeno reino onde a gente comanda, inventa e decide qualquer brincadeira. É pé sujo de lama se chove, é pito de mãe mandando a gente entrar correndo, é zombaria. Quintal é piquenique, é casa de boneca, é futebol - mesmo sem saber jogar. Quintal é casca de bergamota espalhada e sementinha plantada no sonho de que cresça um pé cheinho delas. Quintal é cachorro grande, é passarinho, gato no muro e formiga que morde o pé. Dói, arde, mas passa. Passa logo e volta a correr, pisar na grama e ser rei daquilo tudo. Quintal é um pouco de tudo ou tudo de tantas poucas coisas. Histórias, aventuras, memórias. Joelho ralado, sorriso rasgado, beijo roubado. Quintal é isso e eu gosto do som que ele tem.





quarta-feira, 26 de março de 2014

Portinho



Hoje Porto Alegre tá de aniver. Dale! Cidade que me agarrou pelo braço quando vim a passeio, me abraçou (aqueles abraços de urso que esmaga a gente, sabe?) e não me largou nunca mais. Onde tem a Redenção, meu xodó, onde larguei um grande pedaço meu - do coração, da cabeça, do bolso - quando levaram meu celular enquanto escrevia sobre 'gentilieza' bem sentada debaixo duma árvore...ironias...rs. E onde passei horas das minhas tardes, onde dividi histórias, sorrisos e dias de sol. Cidade que me trouxe de volta um monte de sentimentos e sensações que tavam, digamos de stand by... A vontade de ser, de se jogar e viver as coisas que tão aí para gente viver e viver da forma mais entrega que se pode. Me trouxe a inspiração para retomar meus textos, para agarrar as palavras que correm soltas na cabeça. Me trouxe amigos, os antigos e os novos - tão bem vindos, amados e por quem eu já tenho todo o carinho desse mundo. Me trouxe o som, a música alta todas as manhãs, as parcerias que dividem comigo a alegria de colocar as coisas em prática e de ver os projetos acontecendo a passos largos. Além dos dias escandalosamente lindos de inverno, a benção do café com pão prensado da Lanchera e da ceva gelada na Cidade Baixa, meu quintal, que não me canso nunca. Onde eu escolhi viver e fui escolhida. Onde eu tenho sido muito eu, intensamente. Tô feliz tão feliz aqui...



Parabéns, Portinho danada! 

quarta-feira, 19 de março de 2014

Autoral Social Clube #ASC


Noite passada foi uma noite daquelas. Teve amigos, muitos abraços, composições, cerveja gelada, muita risada, doces melodias, gente do bem, aplausos - um monte deles, energia boa, vozes que são um dom, grandes encontros e reencontros, uma baita sinergia. Teve declaração de amor, amores mal terminados, amor de pai, de homem, de mulher, e amor de vó que trouxe uma saudade em todo mundo que escutou, que cantou.

Teve homenagem a lua, a Yemanjá ou Mãe Natureza, como preferir chamar, a beleza da vida, da luta e do manifesto, homenagem ao entardecer - e ai de quem não pare para assistir este espetáculo. 

Teve muito violão que veio bem acompanhado do baixo, da guitarra e do som bonito do teclado. Teve a força da batida das alfaias, o gingado do pandeiro, dos bongôs e das congas, a tal energia pulsante da percussão. A doçura do chocalho de sementes, som de cascata, de sonho e devaneio, que traz a calma e a leveza ao coração.

Teve um tanto de rubro, de intenso, um sabor apimentado nas letras, na sonoridade, nas 'gentes', no ar, e no calor dos aplausos que se tornaram abraços, dos mais apertados, esperados e abraçados. Teve muita luz! Teve palco! Teve um caldeirão de gente boa abençoada com essa presente de meudeus. Teve lágrima minha, sua e deles. Teve coração leve, sorriso rasgado e alma lavada. 

Que mais uma edição, mais um palco e todos e tantos talentos afirmem e reafirmem a importância de se olhar para o autoral, para o independente, com olhos de ir além. Que eventos como o AUTORAL SOCIAL CLUBE (ASC) possam se multiplicar e alcançar cada vez mais ouvidos, corações e aplausos. 

Eu aplaudi de pé e sorrindo por dentro.

Vida longa!




quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A graça de tudo tá na surpresa
Sorriso do canto de boca
Pensamentos daqui e de todo canto
Sabor gelado no meio do calor
Ideias, apego, sossego
Mordida no lábio
Pensamento, suspiro, vontade de tanta coisa 

E vida seguindo, sorrindo. 

Bons ventos!












segunda-feira, 2 de setembro de 2013


Porque é tão bom se sentir assim. Frescor, friozinho na barriga, aquela brisa dos bons ventos que hão de soprar por aqui. Ah, se vão! Porque a gente sente e sabe quando é assim.

Boa semana, povo!

A foto é da Nathalia Grill e eu amei!

domingo, 1 de setembro de 2013

Tem tanta coisa que faz a gente se sentir assim?
Tanto pensamento dando voltas na cabeça
Tanta montanha russa dentro da barriga
Vontade que vira missão
Missão que tira o sono
Sono que não vem mesmo e aí vira chuva de palavras
Um monte delas que quer sair e sair correndo papel afora
Mas tem sempre uma que se demora e acaba segurando todas as outras
E seguem rodopiando na cabeça
Procurando uma saída, atalho, ou até um cantinho prá se achegar, contar tudo que anda acontecendo por acá

Suspiro, respiro, buscando um jeito de acabar

Outro suspiro.





No pé do ouvido: https://soundcloud.com/alexandre-andr-s/05-ala-petalo-alexandre-andr-s